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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Desabafo...



Era o que faltava! Defender a imparcialidade é promover a baderna. Questionar artigos tendenciosos é me declarar socialista. Pedir para avaliar os fatos é descredibilizar pessoas e ver além das paixões é ser hipócrita e despreparada. Como devo agir então? Devo me conformar com todo tipo de asneira que vejo? Devo engolir esses conceitos banhados das impressões de alguém tão cego quanto os cegos que critica? O que é a verdade? Quantas verdades existem? Para cada cabeça há uma ideia e uma sentença. Não me julgue nem me diminua porque ninguém pode ver com meus olhos. Não tente me rebaixar com seus títulos porque títulos não são sinônimo de experiência, tampouco de sabedoria. Se há algo que caracteriza um sábio é a sua humildade ante à vida. Ele entende que não é dono do conhecimento e por isso não tenta curvar os outros aos seus conceitos. Não! Um verdadeiro sábio compreende que para cada fato há visões diferentes e em vez de dominar mentes, ele as faz expandir. Você pode ter vivido muitos anos e conhecer muitos lugares, mas não é dono da História e nem dos meus pensamentos.

Guarde sua prepotência e arrogância travestidas de cultura, porque nada disso me interessa. Quer dizer que eu mal saí da faculdade e não mereço crédito porque sou uma alienada pseudointelectual esquerdopata? Poupe-me de seu discurso envenenado. Não sou eu que tento trazer pessoas para a minha religião, meu partido, minhas ideias, meu cabresto! O conhecimento deve libertar e não restringir. O que você entende da vida se mal conhece as pessoas? Como pode se achar inteligente se não consegue enxergar além de si mesmo? Não sou eu que busco nos outros o meu próprio reflexo, então me respeite como o ser pensante que sou. Tenho o direito de pensar diferente sem ser taxada de "idiota útil" ou coisa parecida. Eu vejo os dois lados da moeda, coisa que você já não consegue. Enquanto busco soluções, você constrói inimigos. Enquanto eu analiso fatos, você se dobra ante as traquinagens de uma mídia vendida. Quem é você? Mostre-me seu rosto! 

Eu tenho o direito de não escolher um lado. Eu não sou você e não acredito num mundo onde todos pensem igual. Você diz que combate ditaduras, mas é autoritário em cada palavra. Eu defendo o direito de discordar, já você não reconhece outra versão que não seja a sua. É um pseudossábio que diz lutar por liberdade mas não sabe o que ela significa. Você pode ser o que quiser, pode pensar o que quiser, pode fazer o que quiser, desde que dê aos outros a mesma prerrogativa. Caso contrário, será tão ditador e pernicioso quanto os líderes que tanto odeia. Aliás, guarde seu ódio. "Idiotas úteis" existem em ambos os lados e para todos os gostos. Todos nós somos idiotas e minha burrice não é maior ou menor que a sua. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Algodão


Eu brinco de saltar nuvens quando as estrelas dormem e assim consigo trapacear o tempo. 
É que as horas ininterruptas de ausência dão coragem pra cruzar a linha do horizonte azul e branco. 
No fim, sei que as cores que vejo são meu próprio reflexo, distorcido pela chuva fina. 

Faz frio, mas não é tanto... 
Os anjos também sentem frio e choram como crianças quando o coração pede. 
Será que também sentem medo? Não sei, mas devem sentir. Há algo de divino no medo. 
Ele nos afasta dos caminhos ruins, mas como saber qual o caminho certo se todos parecem iguais? 

Os anjos tem asas. 
Eu também deveria ter...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Poeira de estrelas



Quando você foi embora, pai, eu chorei.
Quis tanto te agarrar pelo braço...
Mas a força me faltou na hora.
Ficou só o silêncio.


Outro dia relembrei velhos rostos.
Pensei ter visto o seu e me abri num sorriso.
É que a esperança mora nesse peito.


Sinto que meus versos te embalam a noite.
E sei que na minha calma se esconde sua presença.
Somos uma coisa só.

Porque tem coisas que não se acabam no óbvio.
Elas transcendem o céu e o tempo.
São como singelos pedaços de Deus.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Amor...



Há quem diga que ninguém é melhor que ninguém. Eu discordo. Acredito na superioridade dos bons.
Quem ama mais é sempre melhor que quem ama menos, independente de classe, cor ou crença.
O amor nos aproxima do divino e é mais forte que todas as orações juntas. Só ele detém em si a força da mudança. Sem ele, os outros sentimentos são vazios.

"Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria".
Porque o amor é o começo e o fim.
É a única e verdadeira imagem de Deus.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Flôres de Barro



Vi seus olhos reluzentes
De sonhos quebrados em casca imunda
Como semente lançada à terra
Como alfinetes, na carne nua

E fiquei ali, sufocada
engasgada, aturdida
Onde estão os meus entraves?
Que tenho feito de minha vida?

Em pequenos goles torpes
de certezas infernais
percebi o que os santos não falam
no silêncio das catedrais

É que as vezes Deus brinca de Guerra
Com soldadinhos medievais
Perdidos no meio das trevas
tratados como animais

Nessa terra cheia de opostos
como céu e inferno o são
parece que a glória está longe
e toda dor é em vão

Mas para surpresa de todos
o eterno se faz presente
em anjos de asas tortas
invisíveis ao peso das horas
visíveis para quem sente...


Ps.: Porque nem sempre o belo se apresenta em cores. As vezes ele é pálido como as verdades da vida e nem por isso deixa de ser fantástico e lindo. (Isa Albernaz)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Dois


 


Esse coração que agora fala, irradia luz como o Sol. É terra fecunda, semeada por um sentimento sólido e sutil, capaz de coisas grandiosas. Sentimento que se escreve com “S”, de saudade, aquela que antecede o encontro. Com o mesmo “S” escrevemos nossos sonhos, que um dia serão verdade. E certa da infinidade de outros “S”s, que serão nossos sorrisos, digo que seremos felizes na simplicidade de nossos dias. Isso porque nosso amor é simples, desinteressado, sublime e superior às pequenezas desse mundo. Somos um salto cego dado às pressas, sem saber onde cair. Mas o risco faz valer a pena e, sendo com você, é a melhor sensação do mundo!

Sei que se o tempo separar nossos caminhos, ainda assim restará muito de nós em mim. E isso me alegra, porque vejo o quanto nossa simplicidade nos faz grandes e completos. E percebo que, sendo Deus um Ser simples, as coisas simples serão por Ele duplamente abençoadas. É nisso que acredito. Amar você é uma dádiva. Meu duplamente abençoado amor...


Ps.: (...) Os grandes amores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copia, ninguém leva, ninguém divide..."  (Tati Bernardi)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Anjinho


Bebo seu melhor sorriso e absorvo suas cores para refazer meus cacos desbotados. Porque, embora não precise do seu colo, sei que só nos seus braços a plenitude me alcança. A verdade é que posso ser o que quiser quando você caminha comigo. E eu não tenho pressa. Sei que a caminhada é árdua, como são as coisas mais preciosas dessa vida, mas sei também que vale a pena, como vale o nosso amor. Te amo, e essa é uma das poucas certezas que tenho. E ultimamente, essa certeza tem me colocado de pé todos os dias. Porque, embora não precise de você para caminhar, sinto que me falta o chão quando você some... E se isso não é amor, posso dizer que desconheço a totalidade das coisas desse mundo.


P.s.: "Porque de vez em quando a poesia não está nas linhas, entrelinhas, reticências, letras do Djavan, na voz da Marisa. De vez em quando a poesia habita dois corações. E apenas dois corações sabem do que são capazes". (Natália Anson Lima - Na Cafeteria)

Raio de Sol...


A graça da vida é rir de si mesmo e acreditar que as coisas se resolvem.
É conseguir ter fé nos dias bons, mesmo que eles estejam distantes.
É levar no peito um amor do tamanho do mundo e permitir que ele saia pelos poros numa onda de energia.
A graça da vida é viver em paz...
É acreditar que os bons fluidos transbordam mundo afora, apensar do mar de incertezas que é a nossa própria existência.
Viver é uma mistura de tudo que há de mais extremo, sejam alegrias ou tristezas.
E é nesse mar de incertezas que meu coração navega...
Se feliz ou infeliz, pouco importa.
Sei que nada é em vão...
Cada nova marca é uma passagem, um indício de que não vim aqui a passeio.
Não sou daqui e não vim pra ficar, mas deixo o melhor de mim aos que quiserem.
E assim eu sigo.
Essa, e muitas outras, sou eu.

"Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção". (Oswaldo Montenegro)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Achados e Perdidos



Eu sou os passos que dei misturados às lágrimas e sorrisos
que escorreram de mim.
Sou uma força que nem sei se tenho...
Um incontrolável vazio que inacreditavelmente tem a sua forma.
Não é acaso...
A verdade é que sou uma mistura de cores sem moldura.
Tenho toda capacidade de ser, mas é estranho, sou só metade.
O resto de mim se perdeu em algum canto...
Por Deus, onde foi que perdi meus sonhos?
E pior, onde foi que eu perdi Você?



P.s.:"Nada muda no mundo quando você não caminha ao meu lado. As pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que eu não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar." (Tati Bernadi)

domingo, 15 de maio de 2011

Num planeta distante...


 E foi então que o Pequeno Príncipe desceu num planeta diferente. Era cheio de vida, cores e aromas. Pássaros voavam e cantavam melodias diversas, dando ares de paraíso àquele lugar mágico. Assim, quase em transe, absorvido pela forte energia que o envolvia, o garotinho saíu explorando com olhos atentos a cada movimento. De repente, eis que se depara com um passarinho:

Passarinho: _ Olá, menino! Que faz por aqui?
Príncipe: _ Procuro algo que ainda não conheço.
Passarinho: _ E como vai saber que encontrou, se não conhece?
Príncipe: _ Não sei, mas procuro. A graça da vida é isto.

E seguiu a passos curtos, mãozinhas para trás, olhos fixos no horizonte. Foram horas de caminhada até que o nosso herói avistou um campo aberto que tinha em seu centro um enorme milharal. Cansado e faminto, pensou em colher algumas espigas e, nesse intúito, se aproximou da plantação. Porém, qual não foi sua surpresa ao ser repreendido por uma voz que parecia vir do vento. Olhou para os lados, mas não via ninguém. Assustado, perguntou:

Príncipe: _ Quem está aí?

E a voz disse: _ Olhe para cima.

Ao levantar os olhinhos apreensivos, o Princepezinho fitou um espantalho que o observava indignado.

Príncipe: _Quem é você?
Espantalho: _ Eu sou o responsável pela plantação que você invadiu. E a propósito, quem é você?
Príncipe: _ Sou um viajante. Tenho um planeta tão bonito quanto o seu. Mas por ser pequeno, não tenho milharais lá. Sua plantação me chamou a atenção. É grande como os campos de trigo que conheci a algum tempo. Sempre que me lembro desses campos, lembro também do amigo que lá deixei.
Espantalho: _Eu não tenho amigos, por isso nunca sou abandonado.
Príncipe: _Mas quem tem amigos, mesmo que estejam longe, nunca está só. Eles se fazem presentes sempre que pensamos nos bons momentos vividos junto. Por quê você não tem amigos?
Espantalho: _ Porque todos que se aproximam de mim tentam me conquistar para levar algumas espigas de milho. E quando conseguem, vão embora. Por isso não acredito em amigos. As pessoas são ruins e oportunistas. Sempre esperam conseguir algo em troca e, quando conseguem, não voltam mais. Pode pegar as espigas que precisa. Sei que você tem fome. Mas quando terminar, volte por onde veio. Não quero mais vê-lo aqui.
Príncipe: _ Mas eu não quero só as espigas. Quero também uma boa conversa. Quero te conhecer para que possa te cativar. Assim, quando eu for, não levarei apenas um pouco do seu milho. Levarei um pouco de você e deixarei um pouco de mim. Aí sim, seremos amigos.
Espantalho: _Não quero. Não gosto de conversas. Vou direto ao assunto. Ofereço o que esperam de mim e depois me esqueço de tudo. Não gosto de lembranças. Elas me irritam quando não tem ninguém por perto. E além disso, se ninguém se importa comigo, também não preciso me importar com ninguém.
Príncipe:_ Ninguém é tão forte que possa viver sozinho. E nem tão esperto a ponto de se esconder por trás das próprias atitudes. Você acha que está protegido dizendo e fazendo aquilo que esperam, mas todos sabem de suas carências e por isso se aproximam. Você só demonstra fragilidade agindo assim. Acha que é esperto, mas é igual a todo mundo e tem as mesmas necessidades. Não posso ajudar se você não quiser, mas se deixar, posso fazer algo diferente. Não vou te enganar para levar seu milho. Se você achar que mereço, dê-me o quanto quiser. Não me importo com a quantidade, desde que a oferta seja sincera. Se não for assim, não quero. Meu corpo tem fome, mas pode esperar. O que não pode mais esperar é esse seu coração faminto de sentimentos. Esse tipo de fome a gente só sacia quando deixa de querer ser esperto e passa apenas a não querer ser sozinho. Por quê você gosta tanto da solidão?
Espantalho: _Não gosto. As vezes quero fugir, mas acabo me aquietando porque essa liberdade me permite agir como bem entender em relação a mim e aos outros. Não tenho nada que me prenda, mas as vezes não sei se isso é tão bom quanto era antes. O tempo passa tão rápido. Nem me lembro mais quando isso começou, só sei que estou aqui, rodeado de pássaros que não mais assusto e que sempre me visitam sem nunca me notar. Eles vem, comem e vão embora. E sabe, acho que prefiro assim. Não sei mais. Sei que gostei de você, e não gosto de gostar das pessoas. Isso é ruim.
Príncipe: Por que é ruim gostar?
Espantalho: _Porque se você me cativar, ficarei preso a você. E quando você for embora, não poderei ir também. É melhor ficar só, com o coração vazio, do que só, com o coração cheio. Assim sofrerei menos.
Príncipe: _ Um amigo me disse uma vez que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E sabe, é nisso que acredito. Eu o cativei e fui embora, mas deixei boas lembranças e ele sabe que também levei outras tantas. Somos amigos, e o fato de não vê-lo, não quer dizer que ele não exista.
Espantalho: _Eu só acredito no que vejo, e não o verei mais. Por isso, não quero que me cative.
Príncipe: _ Também aprendi que só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
Espantalho: _Tudo bem, você venceu. Pode me cativar, então.
Príncipe: _Não funciona assim. Você só vai saber se te cativei se sentir minha falta quando eu for.
Espantalho: _Isso é cruél! Se for assim não precisa. Já devia ter desconfiado, você é igual aos passarinhos. Pegue seu milho e volte, já disse!

E o Principe deu no Espantalho um abraço e se despediu dizendo:

_Não preciso do milho. Já tenho um amigo e dele só quero levar a boa conversa que tivemos. E espero que ele saiba: sempre somos notados, mas só aqueles que nos vêem com o coração nos reconhecem de verdade.

Assim, voltou-se para a estrada deixando para trás o Espantalho surpreso e enternecido. Agora eram amigos e nem a distância das estrelas mudaria isso.
Foram horas de caminhada até que novamente o nosso herói avistou o passarinho que o recebeu na chegada:

Passarinho: _E então, menino, achou o que procurava?
 Príncipe: _Sim, e agora posso ir para outras buscas.
Passarinho: _E como sabe que encontrou se nem sabia o que buscava!
Príncipe: _Sinto que encontrei e, quando a gente sente, é porque encontrou mesmo e pronto! Vocês grandes tem mania de dificultar as coisas. É tudo tão simples, como olhar pro céu a noite.
Passarinho: Você é um garoto estranho, mas tenho que admitir, isso que disse é verdade.

E os dois se despediram num sorriso mútuo. Mais tarde, de volta ao seu planeta, o Principezinho cuidava de sua Rosa e dizia a ela o que havia acontecido. Ela o ouvia atenta e nem imaginava que num planeta distante havia um Espantalho sorridente que via no amarelo do milho um significado a mais. Seu coração não tinha mais fome, e isso mudava tudo! E mesmo que aquele encontro nunca mais se repetisse, a estória continuaria diferente, mais colorida, cheia de aromas como aqueles campos mágicos que jamais seriam esquecidos.


Obs.: Os trechos marcados são originais da obra de Antoine de Saint-Exupéry (O Pequeno Príncipe). O restante do texto foi elaborado baseando-se na obra em questão. 

Dedico este texto ao meu amigo espantalho, para que saiba: todos nós temos um lugar no mundo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

É preciso abandonar...


Quando se abandona velhos hábitos e sentimentos, a vida fica mais leve. Aí, sobra mais tempo pra sonhar e sorrir...

Muitas vezes, ao me deparar com algo que me fizesse mal, travava uma batalha interior para entender aquilo. Só que nem tudo tem uma explicação lógica e tentar enquadrar os fatos num padrão possivel e aceitável acaba gerando um desgaste desnecessário. O melhor mesmo é entender, por exemplo, que caminhos existem para se cruzarem e divergirem... Afinal, assim como passam as estações, passam também as pessoas. O importante é seguir, de alma limpa, pesando na balança apenas o que teve relevância.

Quando percebi que minhas dúvidas eram reflexo de pedências diversas, parei de tentar resolvê-las. Elas já estavam resolvidas e eu não havia percebido... Agora, penso em cada dia como uma dádiva única que posso usar como eu quiser. Agradeço mais...agradeço sempre! A gratidão motiva a conseguir mais por mim e pelos que me cercam.

Assim, concluí que a felicidade dada a mim em doses contínuas, é uma recompensa pelo meu crescimento espiritual. Posso tudo pela fé que tenho! Hoje, estou certa de que uma Força Maior me conduz e ampara. E é através dessa Força que eu vou realizar meus projetos. 

Livre de amarras, pela força do meu sorriso e por um toque de Deus, sigo em passos soltos, leves como esse coração cheio de desejos:
Aos que me amam, amor de volta. Aos que me odeiam, amor em dobro!
E para embalar essa quebra de vibrações conflitantes, envio em pensamentos versos de paz e serenidade que só quem sabe, sente!


"Leve com você
Só o que foi bom
Ódio e rancor
Não dão em nada
Nada

Ouço aquele som
Lembro de você
Como acabou
Mas não tem nada não
Só guardo o que foi bom
No meu coração..."
(Natiruts)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Manhã


Acordei com o vento batendo na janela e abri para que ele entrasse. Era mesmo uma manhã linda! Meus passaros, livres, cantavam nos galhos de uma jovem goiabeira. Nessa hora, percebi que o mundo não é mais perfeito que o meu quintal. Isso porque nele vejo a paz que sai de mim e das pessoas que amo. Sinto a vida, em sua forma mais simples e plena... Olhando as árvores, dançando ao ritmo do vento, percebo o quanto a vida é boa, como deveria, de fato, ser. Tenho tanto... sou tão grata! Meus dias começam em preces de agradecimento.

Obrigada, Pai...
Obrigada, Mãe...

Obrigada por me tornarem morada do Cosmos!
Pachamama... no teu ventre, abraço o infinito!

Namastê!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Nada


Da soleira, vejo teu rosto. O mesmo de antes, calmo e observador. Sinto falta disso. Daquelas conversas que tivemos e das muitas que não aconteceram por motivos diversos. Tudo mudou tão rápido. Nem deu tempo de arrancar de mim aquelas velhas mágoas. Elas ainda estão aqui, em algum lugar no peito.

Por várias vezes questionei suas escolhas, mas nunca soube como se sentia. Hoje acho que entendo, ao menos em parte, a sua fome de viver e de realizar cada vontade. A verdade é que você sabia o quanto a vida corre, como se escorresse por entre os dedos. Quanto mais a gente tenta segurar, mais ela se espalha pelo chão.

Me arrependo de não ter aprendido mais. Talvez agora esteja pronta para seguir meu caminho. Talvez não. É que esses últmos anos foram estranhos. Sem dúvida, os mais significativos da minha vida. Vivi mais e sonhei menos, imagino. Logo eu, que vivia de sonhos, desaprendi a voar para caír nessa bola de fogo chamada Realidade. Fui tão absorvida por ela que minha fé tem sido meu único refúgio. Hoje acredito em tudo, até em bolas de fogo invadindo o céu. Será que estou louca? Já nem sei... Não seria prudente também perder futuras recordações com expeculações baratas sobre futuro. Será que ele existe? Perguntei ao Pai e à Mãe, mas eles não me disseram nada. Pode ser que no balanço das árvores ou até no próprio vento, a resposta tenha se escondido. Não sei e não saber sempre deixa um vazio na gente...

Sei que tudo passa e por isso não tenho mais pressa. Logo agora, que deveria viver mais, é que eu quero viver menos! Preciso aliviar a carga. Tem coisas pesadas demais comigo. Quero viver menos transtornos, menos desentendimentos, menos tristezas, menos estress. Fiz um compromisso com tudo que vive e vem de mim. Só vou viver o que for realmente bom o bastante para valer meus preciosos dias. Se essa loucura for real, terei serenidade. Se não for, terei conhecimento.

Tudo se renova, tudo passa, tudo tem pressa. Por isso estou num resgate alucinante de tudo que perdi e me agarro à cada sorriso novo. Quem sabe encontro o que falta? Se é que falta alguma coisa. Não há como saber... e eu também não quero a verdade. Prefiro a minha verdade, a que vejo no calor do Sol, na persistencia da Água, na suavidade do Vento. O absoluto se faz em mim, na Águia Azul que sou. Por isso não quero a pequenez da existência. Ninguém deveria querer! Tudo é um grande ciclo que se fecha e isso explica todas as coisas. Se somos mesmo pó das estrelas, então o mistério da vida está revelado. Estamos aqui, onde outros estiveram e para onde outros virão. O que há depois daqui não pode despertar outro sentimento que não seja o de fascinação. Afinal, como poderia ser diferente se todos somos agraciados com o dom da Eternidade?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sobre muros e montanhas...


Viver não é preciso...é necessário.
Amar não é necessário...
O que é necessário?
O que é realmente necessário?
A volta?
Partir...
Eu que já fui tanto...ou não
Já nem sei!
Nunca soube
Ninguém sabe
A resposta se perdeu no tempo...
Não sou boa nesse jogo de perfeição
Não sei mais se quero brincar...


"Quero explodir as grades e voar
Não tenho pra onde ir, mas não quero ficar
Suspender a queda livre, libertar...
O que não tem fim, sempre acaba assim".


(Engenheiros do Hawaii)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Línguas ao léu...


Viver é um misto de autocontrole e jogo de cintura.
Na falta de um: persistência
Na falta dos dois: coragem
Abba! E essas adagas que insistem em saír de mim?
Injustiças celestiais que me perseguem...
Mas os anjos sabem do meu esforço...e de minhas quedas.
Será que sabem o que levo no peito?
Se sabem, escondem.
Se não, assim seja (para sempre)
"Amém"!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Colo de mãe


A graça da vida é que ela muda.
Não se sabe como, quando, quanto...
Ela muda na proporção das nossas derrotas.
O peso da perda engrandece se acompanhado de aprendizado em vez de pezar...
A gente sabe que está crescendo quando crescem os problemas...
A gente sabe que é forte quando cresce sem desanimar...
Devagar e sempre...
No balanço das ondas que se arrastam preguiçosas...
Na fúria do mar que explode na ressaca...
A força de um oceano no coração de uma mulher.
Maria-mãe
Maria-do-céu
Ave!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Palavras tortas...


Para declarar o que não pode ser dito, usei minhas lágrimas. Assim, farta de lembranças, segui o sábio conselho de um grande homem: não olho mais para trás. E que seja sempre assim. Meu passado, companheiro, é a poeira da estrada que o vento leva. Não passa...flutua. Paira no ar a espera de um cantinho onde os olhos da Sanidade não chegam. Lá, onde a Melancolia se esconde, teias de saudade se desdobram em cascatas prateadas. Luz tênue, velhos pensamentos. O tempo passa lá fora, mas que diferença faz? Levo no ventre o filho das horas incertas. Seu nome é Abismo. O meu, é Solidão.

"Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
é a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
É o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol".


(Força Estranha - Caetano Veloso)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um "boa noite", apenas...


                                                        
Hoje eu senti falta do seu colo. Essa é uma necessidade que me acompanha, mas as vezes é mais urgente que nos outros dias. Sinto sua presença como se pudesse tocá-lo e, em alguns momentos de insanidade, chego a ouvir sua voz. Ela se mistura a um som leve, de flauta doce, que inunda meu quarto...e meu peito. Acho que de todas as coisas que nos unem, a música é a mais forte. É um elo místico que nos coloca em sintonia. Não sei onde você está, mas sinto que está bem. Isso me conforta, tanto quanto os abraços que você me manda através do vento. Sinto seu perfume, vindo de longe... Me perco em devaneios sobre lugares com jardins gigantescos e iluminados. Tudo canta, tudo é som. Nesse mar de melodias e cores, vejo você com seus olhos miúdos. O mesmo semblante sereno. O mesmo abraço apertado. O mesmo colo. Sinto que você me protege mesmo que não possa vê-lo. As vezes sinto que não vou suportar. Dói tanto! Parece que não acaba nunca! Será que você pode me ouvir? Espero que receba meus beijos...e o meu "boa noite" de todos os dias. Sinto sua falta... De todas as coisas que penso, essa é a única sobre a qual não posso escrever. Faltam-me palavras. Isso porque sentimentos não podem ser resumidos em frases. É uma questão de espaço. Palavras limitam...e a dor que sinto é vasta como o universo... Se o inferno tivesse outro nome, certamente seria coração.

"Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?"
(João e Maria - Chico Buarque)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Conto de uma noite qualquer



Pousei meus olhos sobre aqueles olhos verdes. Estranho e instigante como aquela conversa. Fui baixa, fui longe, fui eu. Estranhos conhecidos numa mesa de bar. Algumas dezenas de pessoas em volta inundavam de vozes o ambiente. Cada um tinha sua estória, escolhas, vivências. Passei a noite sorvendo contos eróticos e cerveja. Se ao menos eles soubessem... Novamente repousei meu olhar, dessa vez sobre um par de olhos azulados, apreensivos e curiosos. A timidez de menina pairava naquela face branca. Se ao menos ela soubesse... Temi pelo destino da conversa e também pelas horas que escorriam noite a dentro. Noite linda, lua clara e cheia. A maior expectadora de nossas tolices e desejos imundos. Um grupo, um bar, uma mesa. Revelações que fugiam levando consigo pudores. Deixa estar, quem precisa deles? Me vi naqueles olhos azulados, quase verdes. Quase um pedido de socorro! Eles gritavam. Por quê só eu ouvia? Se ao menos ele soubesse... Se aquele par de olhos verdes, invasivos e quentes imaginasse o que se passava ali! Era quase um poema. Era quase uma guerra. Uma mistura frenética de coisas. O caos reinava, mas por fora a luz fluia. Assim, seguiamos calmamente vagando nesse mar de sonhos. Aqueles olhos são brinquinhos de ouro! O que eles escondem? Nem meus olhos castanhos sabem dizer. Mas não importa! Algumas cervejas, algumas palavras, risos e estórias...
  _  Garçom, a conta!
Noite a fora, estranhos amigos seguem abraçados.
Tanto fez, tanto faz.
Se ao menos nós todos soubessemos...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Estrelinha



Quando falo de você, costumo confundir os verbos. O presente vem à boca como aquelas nossas conversas. Sei que o tempo leva muitas coisas, mas algumas vão ficando...ficando... As vezes penso em como a gente se engana fácil...e em como é fácil fazer planos futuros. Lembro das vezes em que, por você, deixei de fazer planos. Imaturidade...besteiras infantis. Me feria, procurando te atingir e o pior é que eu sempre conseguia! Penso em dias perdidos num universo paralelo. É que minhas lembranças foram sugadas por um buraco negro. As vezes bate um vazio da cor do espaço. Anti-matéria e Antigamente são uma coisa só. Coisas etéreas, eternizadas em alguma estrela. O céu tem tantas estrelas... Só que nessa constelação, o brilho é salgado. E esse Sol, mais brilhante que os outros, insiste em quebrar o gelo que a saudade construíu. Sem perceber, acabo sorrindo. É a felicidade morna de quem ouve ao longe cantigas de ninar...ou seriam cantigas do U2? Ramones, talvez...ou uma mistura de ACDC e Roupa Nova! Coisas diversas como os ingredientes dessa alma multicolorida que você criou à sua imagem e semelhança. Um planetinha que mira seu Sol. Te amo com a força de minha saudade...e esperança. O céu não é o limite! É um brinquedo que você inventou para que eu pudesse te ver melhor. Pretensão? Não...é só a realidade de uma estrelinha que acredita em sonhos. E quem não acredita?