domingo, 21 de junho de 2009

É preciso...


Entender demais é um defeito. É preciso ter maldade para se preservar. É preciso se manter além da compreensão. É preciso ouvir aqueles que nos amam. E as vezes ouvir os que não nos amam tanto assim. É preciso também ouvir a si mesmo e até ter a ousadia de seguir os próprios conselhos. Se eles falharem, o julgamento será interno, nada mais. É preciso ter força, principalmente quando o coração pede coisas que a razão não pode dar. É preciso ter coragem para não voltar atrás depois de uma decisão tomada. Não se brinca com sonhos... que dirá com sentimentos. É preciso firmeza diante da vida, mais ainda diante das pessoas. Medos são atrasos. Receios são dispensáveis. Sonhos são possíveis, se forem buscados com os pés no chão. É preciso ter fome. Fome de viver, de lutar, de prosseguir. E mesmo quando ocorrem quedas, é preciso ter fome de vencer. É preciso ter coração limpo... É preciso que algo maior, além de todos nós, limpe-nos o coração e a alma. E que este mesmo Ser nos recolha a alma quando for chegada a hora. Porque é preciso ter fé. Uma existência sem fé é um salto no vazio... É preciso ter amor, não só pelos outros mas também por si mesmo. Amor direcionado gera possessão, doença. É preciso mudar, um pouco por dia. Mudanças trazem um ar dinâmico à vida. Nada sobrevive estagnado no tempo. É preciso ter tempo... tempo para viver cada coisa da melhor forma possível. E se não for possível, é preciso tentar... O sucesso não é algo que se compra numa loja de doces. A felicidade também não. Mas ambos são possíveis. Há quem diga que eu nunca fui feliz. Eu digo que não me conhecem... Sou feita daquilo que busco e isso me faz grande. Grande demais para caber num sorriso. As pessoas são apenas metade do que mostram. A outra metade é feita do que sentem... E o que eu sinto... deixa pra lá, não ia caber aqui mesmo...


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"Non je ne regrette rien..."

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Criança


Um dia eu serei uma criança daquelas que brincam dando piruetas no jardim. Sabe aquelas crianças brilhantes, que suspiram por qualquer coisa adocicada ou colorida? Pois é, serei dessas. Um dia, terei toda a leveza de uma apaixonada, mas sem o medo do fim. Quero ser uma apaixonada eterna. E que nunca me faltem paixões! Quero viver intensamente os meus dias...como vou vivendo...mas como uma criança. Pena não poder voltar no tempo. Que saudade daquelas coisas que o tempo leva... Coisas e pessoas. Maldito tempo... Mas que seja, pouco importa, porque já decidi ser criança. E que nunca matem a criança em mim! A graça da vida está em ver o mundo colorido, de olhar atento, olhar aprendiz. Como uma criança apaixonada, boba... Uma criança brincando de viver nesse lugar absurdo chamado mundo. Uma hora no céu, outra no inferno. Mas tudo bem, são apenas os dois lados de uma mesma amarelinha.
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"Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão..."

(14 Bis - Bola de meia, bola de gude)

sábado, 18 de abril de 2009

Lembranças...


Abraço seu nome como quem abraça uma estrela. É algo distante, tão frio como seu último olhar. Ainda tenho nítidas na memória as melhores lembranças. Elas são como agulhas numa ferida aberta. Transpassam a alma, deixando um gosto de qualquer coisa amarga na garganta. Pode ser saudade... Nem eu sei. Já não sei de tanta coisa! Reviro meus livros e ouço as mesmas músicas tristes numa tentativa desesperada de entender que corações existem para serem partidos. Nessas horas, me junto aos poetas apaixonados que abrem o peito ao mundo. Eles choram... eu já chorei. O problema é quando não restam mais lágrimas. Aos poucos, a tristeza vira melancolia, um marasmo meio torpe. As vezes penso que tudo seria perfeito se o coração errasse menos. Por outro lado, o que seria do mundo sem as melodias que escorrem de um coração partido?


"Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer, que só me lembram que nada vai resolver. Porque tudo, tudo me traz você e eu já não tenho pra onde correr..." (Leoni)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Avessos



O avesso do samba, da bossa, do frevo
Avesso do nada, da guerra, do terço
Do rosário rezado às lágrimas,
com remorso dentro do peito
Avesso de tudo de todos
Avesso ao que não conheço
O meu mundo é assim,
Sorrisos incontidos, lágrimas escorridas
Felicidade que espera, felicidade partida
Meio pela metade, meio pelo começo
Meio prosa, meio verso
As vezes meio termo
Nada faz sentido, nada é tudo e sempre
Nada...nada e tudo!
Tudo sou eu, eu no mundo
Um lapso, uma música
Um verso...
A bossa nova inundando o jardim...
"Um dia na areia branca,
seus pés irão tocar..."
Verdade vos digo:
Poucos são os que sabem adentrar
os caracóis dos meus cabelos...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Serenidade



Recentemente, percebi o quanto o meu julgamento pode estar equivocado. Percebi que as vezes o melhor conselho vem de quem a gente menos espera...e isso modifica um dia inteiro. Percebi que tenho sim amigos verdadeiros, capazes de chorar comigo e por mim ao tomarem para si minhas dores. Amigos que ficam com os olhos marejados por não conseguirem abrir os meus. Eu só preciso de entendimento...

Aprendi que a compreensão que eu busco só virá quando eu mesma compreender e aceitar minhas decisões. E aprendi que abraçar essa causa as vezes é mais complicado do que parece. Aprendi que um olhar da pessoa amada serve não só para dar conforto, mas também tem o incrível poder de renovar o coração, ainda que este coração não esteja lá muito bem. Aprendi que o perdão é sim atitude dos fortes. É preciso enfrentar os outros e a si mesmo para perdoar, e isso é uma grande batalha. Os fracos nunca perdoam. Aprendi que posso ser forte à minha maneira e que não preciso prestar contas do que sinto, embora as vezes ache isso necessário.

Aprendi que é muito fácil decepcionar uma pessoa...e que a decepção de um amigo, acaba em pouco tempo se tornando a sua. É só uma questão de tempo. Mas se você souber pensar de forma limpa, pode se livrar desse peso com mais serenidade. Aprendi que acima de tudo preciso ter serenidade, para mudar o que eu puder mudar e acima de tudo entender e aceitar aquilo que não posso. Aprendi que o perdão não me diminui como pessoa, mas me dignifica, visto que posso entender o erro do outro e entender também que qualquer um é passível de erro, inclusive eu.

Aprendi que posso não ser perdoada pelos outros, mas se for perdoada por mim isso basta. Aprendi que se as coisas não vão bem, não é o fim do mundo. Depende de mim fazer o melhor ou o pior com aquilo que me é dado. Aprendi que posso sofrer e me levantar mais forte em seguida e que me amar é as vezes é mais difícil do que amar ao próximo, já que conheço bem os meus defeitos. Aprendi que apesar de não ser perfeita, também posso ser amada, se não pelos outros, ao menos por mim.

Aprendi que também posso ser bonita, inteligente, simpática, desde que me sinta dessa forma. Os nossos sentimentos interferem diretamente na nossa visão de mundo e na forma como somos vistos. Aprendi que posso amar, mas só serei amada se me permitir ser. A vida é isso, um constante jogo de permissão e negação. Ao negar uma coisa, você a afasta de si. Ao aceitá-la, ela passa a fazer parte de você, do que você é. Aprendi que sou responsável pelas minhas escolhas e principalmente pelo que me torno através delas. E aprendi que posso ter uma vida linda e que isso depende inteiramente de mim.

Sei que não sou perfeita e por isso não procuro perfeição em ninguém. Também não quero que procurem em mim. Sei que nem sempre meus amigos aprovarão minhas decisões, mas se forem amigos, entenderão minhas escolhas, embora não as aceitem. Sei que a vida pode ser um sobe e desce de emoções e que eu posso explodir em lágrimas ou risos, mas é exatamente isso que eu quero: me sentir viva.

Sei que com o erro se aprende...e é por isso que eu quero passar a vida errando. Para não acordar um dia e me ver perfeita...e acabar descobrindo que, em meio a preocupações desnecessárias, por causa de receios e medos, eu acabei desistindo dos meus sonhos, troquei o que queria pelo certo e me arrependi amargamente por isso. Aprendi que o sofrimento modela a alma, dá um polimento a mais no caráter e, mesmo que aos olhos dos outros não exista saída, eu sei que existe...porque na minha vida, sou eu quem abre as portas. Enfim, aprendi que sou o que sou, com meus defeitos e qualidades. E aprendi que minha vida é perfeita... e eu realmente não mudaria nada!