sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Só saudade...


Acordei com gosto de saudade na garganta. Aquela que consome nas horas em que o Tempo se distrái. Fiquei assim, cheia de lembranças dos dias que não voltam, rodeada de sorrisos que já dei...e recebi. Tive medo daquele marasmo sufocante tomar conta de mim. Precisava respirar... Vejo quadros na parede. Olhos de papel impregnados de algo que não se apaga com os anos... Sempre os mesmos olhos, julgando e protegendo. Era tudo melancolia... Pequenas porções de vazio escorrem por entre os dedos. Pequenas porções de tristeza, salpicadas nos lençóis azuis. Seria o céu, não fossem as grades vermelhas. Liberdade falsa, felicidade ocre, sorriso amargo. Gosto de saudade... Sempre o mesmo gosto de saudade. Nunca tem fim.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mareando...


Hoje o dia fluiu devagar, como se quisesse escapar do próprio tempo. Acudi alguns rostos que se afogavam no meu mar de lembranças. Tormentos e tempestades castigavam a praia de areias mornas, pálidas. Na cabeça, um turbilhão de palavras que não ouso escrever. Quem ousaria? Noite fria. Momentos enraizados num lugar distante. Meus sonhos naufragam e com eles meu sono. Olhos calmos, cansados, marejados. Na maré baixa eu sigo recolhendo estrelas espalhadas pelo chão. O rio que salta dos olhos embala o mar como uma mãe acolhe o filho. Cantigas de ninar ecoam no horizonte. Ou seriam cantigas de saudade? Nem o mar pode dizer.

domingo, 21 de junho de 2009

É preciso...


Entender demais é um defeito. É preciso ter maldade para se preservar. É preciso se manter além da compreensão. É preciso ouvir aqueles que nos amam. E as vezes ouvir os que não nos amam tanto assim. É preciso também ouvir a si mesmo e até ter a ousadia de seguir os próprios conselhos. Se eles falharem, o julgamento será interno, nada mais. É preciso ter força, principalmente quando o coração pede coisas que a razão não pode dar. É preciso ter coragem para não voltar atrás depois de uma decisão tomada. Não se brinca com sonhos... que dirá com sentimentos. É preciso firmeza diante da vida, mais ainda diante das pessoas. Medos são atrasos. Receios são dispensáveis. Sonhos são possíveis, se forem buscados com os pés no chão. É preciso ter fome. Fome de viver, de lutar, de prosseguir. E mesmo quando ocorrem quedas, é preciso ter fome de vencer. É preciso ter coração limpo... É preciso que algo maior, além de todos nós, limpe-nos o coração e a alma. E que este mesmo Ser nos recolha a alma quando for chegada a hora. Porque é preciso ter fé. Uma existência sem fé é um salto no vazio... É preciso ter amor, não só pelos outros mas também por si mesmo. Amor direcionado gera possessão, doença. É preciso mudar, um pouco por dia. Mudanças trazem um ar dinâmico à vida. Nada sobrevive estagnado no tempo. É preciso ter tempo... tempo para viver cada coisa da melhor forma possível. E se não for possível, é preciso tentar... O sucesso não é algo que se compra numa loja de doces. A felicidade também não. Mas ambos são possíveis. Há quem diga que eu nunca fui feliz. Eu digo que não me conhecem... Sou feita daquilo que busco e isso me faz grande. Grande demais para caber num sorriso. As pessoas são apenas metade do que mostram. A outra metade é feita do que sentem... E o que eu sinto... deixa pra lá, não ia caber aqui mesmo...


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"Non je ne regrette rien..."

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Criança


Um dia eu serei uma criança daquelas que brincam dando piruetas no jardim. Sabe aquelas crianças brilhantes, que suspiram por qualquer coisa adocicada ou colorida? Pois é, serei dessas. Um dia, terei toda a leveza de uma apaixonada, mas sem o medo do fim. Quero ser uma apaixonada eterna. E que nunca me faltem paixões! Quero viver intensamente os meus dias...como vou vivendo...mas como uma criança. Pena não poder voltar no tempo. Que saudade daquelas coisas que o tempo leva... Coisas e pessoas. Maldito tempo... Mas que seja, pouco importa, porque já decidi ser criança. E que nunca matem a criança em mim! A graça da vida está em ver o mundo colorido, de olhar atento, olhar aprendiz. Como uma criança apaixonada, boba... Uma criança brincando de viver nesse lugar absurdo chamado mundo. Uma hora no céu, outra no inferno. Mas tudo bem, são apenas os dois lados de uma mesma amarelinha.
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"Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente, o sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra o menino me dá a mão..."

(14 Bis - Bola de meia, bola de gude)

sábado, 18 de abril de 2009

Lembranças...


Abraço seu nome como quem abraça uma estrela. É algo distante, tão frio como seu último olhar. Ainda tenho nítidas na memória as melhores lembranças. Elas são como agulhas numa ferida aberta. Transpassam a alma, deixando um gosto de qualquer coisa amarga na garganta. Pode ser saudade... Nem eu sei. Já não sei de tanta coisa! Reviro meus livros e ouço as mesmas músicas tristes numa tentativa desesperada de entender que corações existem para serem partidos. Nessas horas, me junto aos poetas apaixonados que abrem o peito ao mundo. Eles choram... eu já chorei. O problema é quando não restam mais lágrimas. Aos poucos, a tristeza vira melancolia, um marasmo meio torpe. As vezes penso que tudo seria perfeito se o coração errasse menos. Por outro lado, o que seria do mundo sem as melodias que escorrem de um coração partido?


"Eu já ouvi 50 receitas pra te esquecer, que só me lembram que nada vai resolver. Porque tudo, tudo me traz você e eu já não tenho pra onde correr..." (Leoni)