segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Farpas e flores


Todos nós temos uma necessidade inata de sermos aceitos e, como seres sociais que somos, a cada minuto aderimos à uma nova modinha. Essa adesão é quase sempre discreta, mas nem por isso menos perigosa. É que ao buscar a aprovação de um grupo nos afastamos daquilo que nos torna únicos, ou seja, na urgência de ser parte, a gente se esquece que já nasceu inteiro e acaba perdendo um pouco (ou muito) de si.

Fugir desse esquema não é nada fácil. Se você não pensa como a maioria, não se veste como a maioria, não age como a maioria, inevitavelmente será marginalizado. E olha, posso dizer que isso dói. Dói quando você quer se expressar mas as pessoas não te ouvem pelo simples fato de você não professar a mesma fé, não torcer para o mesmo time ou não votar no mesmo candidato. Esse frenesi coletivo vai mais longe, separando pessoas, oprimindo, criando um clima de intolerância e tensão até mesmo dentro de famílias. Tudo isso já parece sério o bastante, mas é ainda pior por causa de um fator: as redes sociais. 

Hoje é quase impossível encontrar alguém que não tenha ao menos uma conta em redes sociais como Facebook, Whatsapp, Instagram, Twitter, entre outros. Até pouco tempo atrás as pessoas mediam sua popularidade pelo número de conexões nessas redes, mas hoje as coisas estão um pouco mais agitadas. Agora a popularidade é medida pelo número de "retweets", "likes" e  "compartilhamentos" e, nesse meio, pensar diferente da maioria nunca foi tão arriscado. 

Ao discordar do pensamento dominante você não estará só afastando as pessoas. Estará também atraindo "haters", que são seres nascidos para odiar. Esse tipo de gente ultrapassou a tênue linha que separa a "opinião" da "agressão" e vive de espalhar ofensas online nos quatro cantos da web. Eles não estão interessados em diálogo porque a troca de ideias por si é uma ameaça à soberania de seu pensamento. Por isso, diante de qualquer questionamento eles explodem numa mistura de ira e razão inabalável. Enfim, a melhor arma contra um "hater" é o oposto de seu comportamento. Se discutir não deu certo, tente respeito, ponderação e educação. Um "hater" que se preza não resiste a isso. 

Por falar em discussão, outro hábito cada vez mais comum são os debates públicos. Não importa onde você manifestou sua opinião, se alguém não concorda, a terceira guerra está armada. E se você pensa que é por amor ao debate, se engana. Boa parte das "trocas de farpas" encontradas na internet não tem outro objetivo além de se reafirmar perante um grupo no qual se busca aceitação. Daí se vê a importância que o "bicho homem" dá para a opinião dominante. Não basta concordar, é preciso defender isso em todas as ocasiões e locais, mesmo nos mais inoportunos. Nesse cenário, amigos se afastam, inimigos surgem e todo tipo de tragédia social acontece. 

Mas como evitar tamanho caos? Bem, uma das saídas é não ter contas em redes sociais. Mas se você é como eu e já não consegue mais viver sem distribuir seus "likes" por aí, existe outra saída: não diga nada que possa desagradar à maioria. Difícil, não é? Como saber exatamente o que pensam as pessoas? Impossível. E sendo impossível adivinhar o pensamento alheio, ainda há uma terceira opção: ligue o "foda-se". Afinal, se você acredita em algo que a maioria desaprova, mas isso que você defende não viola nenhuma lei, qual o problema? É tudo uma questão de opinião. Você não precisa ceder para ser aceito. Se isso for requisito para entrar em algum grupo, desconfie! Existe uma diferença muito grande entre concordar e acompanhar. Um acordo surge de um consenso, de uma troca saudável de ideias. Acompanhar é simplesmente se deixar levar, pegar a onda. 

Não é fácil discordar da maioria. Não é fácil ser tachado e incompreendido. Mas sabe, vale à pena. No fim você descobre que suas convicções são realmente suas e que você tem a liberdade de mudar de ideia sem que isso signifique um "expurgo social". Se restarem poucos ao seu lado, não importa. Nessa vida de efervescências e brevidades, ter algo verdadeiro, ainda que pouco, não é prejuízo: é dádiva. Um verdadeiro presente de Deus. 

2 comentários:

Leonardo Aragão disse...

Bom dia Isabella
Como sempre você manda muito bem em seus textos,acho que e bem isso mesmo,se qualquer um de nos se sujeitar a qualquer grupo nas redes sociais,temos que ter a consciência que ou vamos ser puxa saco daquele grupo e sempre abaixar a cabeça e disser sim a tudo,ou expomos nossa opinião mesmo que contraria e fiquemos preparados para as criticas!
Mas apesar de tudo ainda vejo uma luz no fim do túnel,se quando expressarmos nossa opinião mesmo que algumas ou varias pessoas sejam contrarias,pode buscar nos comentários que sempre terão pessoas serenas e de boa índole,que ou irão concordar com a nossa opinião,caso estejamos certos, ou irão conversar numa boa tranquilos nos mostrando que não e bem assim,que existem outras coisas alem do que pensamos e que talvez,caso tenhamos a sabedoria e paciência,para ouvir e ler o que essas pessoas dizem,podemos ter uma nova visão daquele assunto ou ate mesmo ficarmos mais convictos de que estamos certos!! Mas tudo sempre sem agredir o outro ou coisa assim, pois e nossa opinião!!
O que quero resumir nessas palavras e que a sim salvação, existem muito mais pessoas boas e tolerantes do que pessoas ignorantes e intolerantes no nosso mundo!

Isa** disse...

Valeu pela visita e por sua opinião sobre o texto, Léo! É muito bom poder conversar em redes sociais e trocar ideias, mas se você é perseguido por isso é complicado. Ainda bem que é como você disse, apesar de alguns ofenderem, outros são mais ponderados e transformam um combate em uma conversa amistosa e produtiva. O negócio é ser fiel a si mesmo e não se importar tanto com opiniões. É difícil, mas a gente consegue. ;) Obrigada mesmo! Abraços!!!!