quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Pra não dizer que não falei das flores...


Um repórter cinematográfico morreu no meio de uma manifestação contra o aumento da passagem no Rio de Janeiro. Ele virou notícia na grande mídia, mas sua morte, estranhamente, não teve o mesmo impacto na emissora onde trabalhou por cerca de 10 anos. Minutos após a fatalidade (ou homicídio doloso), o fato já estava sendo explorado exaustivamente pelo maior veículo de comunicação do país, mas veja que ironia, tantos outros membros da imprensa foram massacrados pela polícia e não receberam a mesma comoção. Talvez seja porque esses repórteres não eram parte da grande imprensa, não serviam aos mesmos interesses e por isso foram vistos como baderneiros sem causa. Mais irônico ainda é o esforço maciço das grandes emissoras em condenar os manifestantes e voltar a opinião pública contra eles. Que interesse há nisso? Que interesse um deputado pode ter em fomentar a violência em uma manifestação que se iniciou de forma pacífica? Que interesse tem uma revista em desvirtuar as lideranças de um movimento que luta, entre outras causas, pelo fim da corrupção? Pelo enfraquecimento dessa corja que vive do dinheiro público e se vangloria da nossa miséria? É estranho... Só não é mais estranho que o silêncio de uma certa emissora de televisão durante a Ditadura Militar. Queria muito entender porque a perda de um colega doeu de forma tão profunda na mesma emissora que "engoliu" o "suicídio" de Vladimir Herzog nos porões do DOI-CODI. Não era pela censura, já que outros colegas mais, digamos, comovidos, burlaram a fiscalização dos militares e alfinetaram o regime até inflamar a população contra os opressores. A mídia atual, ao contrário, parece insistir em jogar a revolta popular contra os oprimidos. Não apoio o que aconteceu com o colega Santiago, mas usar sua morte como arma não me parece sinal de nobreza. Era um repórter, um brasileiro, uma vida.

Em ano de Copa, o mundo se prepara para conhecer o Brasil e a imprensa internacional, que já estava assustada com os preços estratosféricos cobrados pelo aluguel de salas e equipamentos, agora se apavora com a guerra nas ruas. Mais apavorados devem estar os investidores, que já não tem a mesma confiança na política e economia brasileiras. A dívida interna cresce dia após dia, alavancando a inflação que já começa a apertar no bolso. Não há saúde, educação nem transporte de qualidade. Nossas rodovias são o retrato do que há de mais retrógrado, fazendo com que boa parte dos alimentos e insumos se percam no caminho até nossos portos, também ultrapassados. Por falar em portos, Cuba acaba de ganhar um dos mais modernos do mundo! E o melhor é que foi um singelo presente do povo brasileiro. Isso mesmo, nossa saúde vai mal, nossa estrutura logística vai mal, nossa educação vai mal, mas o porto de Cuba, esse vai muito bem.

O Brasil é único país do mundo onde o ato de se manifestar é considerado mais nocivo que o ato de desviar recursos públicos ou utilizá-los indiscriminadamente. Mas isso tem uma explicação que, nas sábias palavras de um colega, se resume em fazer as leis para cumprir onde, quando e como quiser. O povo não faz as leis e parece estar cada vez mais refém de seus ditos representantes. A situação piora quando a mídia dá à massa a visão que seus financiadores querem. E quem são os financiadores? Adivinha... O povo acostumado à migalhas não busca se libertar da mão que o alimenta. Mal sabe que se de um lado vem o pão, do outro vem a mordaça. É preciso falar enquanto há voz e a voz não está na grande mídia. Quanto mais cedo a população perceber que deve buscar por si mesma as suas verdades, melhor. 

A verdade é que a imprensa é refém de razões alheias à vontade do povo e à sua própria. Por isso, toda informação, por mais fiel que pareça, pode ter sido corrompida. Não é saudável aceitar como verídicos fatos tratados em uma ilha de edição. Não se pode acreditar em leis duvidosas que tem como único objetivo reprimir à massa sob o pretexto de levar segurança. Esse caminho só conduz a um único fim que nós já conhecemos. E justamente porque conhecemos é que devemos combater com veemência.

A sociedade brasileira é hoje prisioneira da violência. Isso porque a confiança em nosso Judiciário é tão precária que serve de estímulo às práticas criminosas. É, no Brasil o crime compensa e o cidadão de bem vive enjaulado, assaltado pelo governo e oprimido pela bandidagem de toda espécie. Ter medo é questão de sobrevivência, mas não pode ser a única reação diante de tamanha crueldade. É preciso lutar para que a máquina pública sirva ao povo, mesmo que nesse processo vidas se percam. Hoje, os jornalistas sentiram na pele a perda de um colega. Amanhã, a sociedade pode sentir na carne os grilhões de mais uma ditadura. Só nos resta lutar até que tudo mude ou até que a última voz se cale e sejamos um país de mudos. 

2 comentários:

Leonardo Aragão disse...

Ola Isabella ,infelizmente hoje em dia no Brasil tudo e interesse estão caindo em cima dessa noticia infelizmente,não por ser um absurdo alguem que esta no seu trabalho morrer devido ao ataque de um manifestante seja um acidente ou não isso a policia ira apurar, mas claramente para colocar a opinião publica contra as manifestações que podem ajudar a libertar nosso país dessas maselas da corrupção,mas isso infelizmente ocorre em nosso país em todos os niveis na politica,no esporte ,na educação ou seja onde houver dinheiro envolvido sempre existiram aqueles que irão tentar de uma forma ou outra neglicenciar as informações para que alguns poucos possam lucrar, e exemplos não falatm o seu proprio texto ja e um exemplo, a jornalista do SBT que expressou sua opinião sobre o caso do menor que foi acorrentado em um poste esta na mira do ministerio publico porque ela deu ainda mais notoriedade ao caso e o que era pra ser uma noticia que terminaria em esquecimento em horas acabou devido a opinião da mesma tendo uma maior repercusão,tambem podemos citar o caso da grande emissora que controla nosso futebol e junto com os politicos venderam a copa mais cara de todos os tempos a custos elevadissimos e com a maior parte do dinheiro publico e agora estão tentando calar muitos que discutem esse caso ,ou alguem lembra em uma grande emissora uma entrevista do deputado federal Romario??, e infelizmente como não poderia ser diferente,mas deveria em nossa cidade onde a midia trabalha com medo pois são os politicos e quem mandam e desmandam ,so temos alguma noticia do que realmente ocorre atraves de alguns post que alguns tem a coragem de colocar nas redes sociais e o prefeito e sua cupula ainda pagam uma pessoa pra ficar de olho nas redes sociais e identificar quem são e esses são colocados na lista negra ,podendo ter consequencias serias aos mesmo se não se calarem!!! Gostei muito do seu texto e espero que muitos leiam e possam tambem buscar informações porque esse ano vou sim assitir e torcer pelo nossos joagadores na copa do mundo ,mas pra mim o evento mais importante deste ano são as eleições e estou atento em quem esta fazendo o que ,ou deixou de fazer as coisas em prol da nossa população.Gostaria aqui de deixar registrado tambem a imensa satisfação que tive com varios paractuenses que se nestes dias tem se mobilizado para ajudar a salvar vidas indo ao hemocentro de Patos fazer doação de sangue e teste de compatibilidade de medula ossea para tentar salvar vidas e deixar um grande obrigado a alguns politicos que nos mostram que temos pessoas merecedoras de nossa confiança e voto . Obrigado e belo texto ,mais uma vez parabéns

Isa** disse...

Olá, Leonardo! Fico imensamente feliz que você pense dessa forma! Quanto mais a gente buscar se informar e avaliar o que acontece com o nosso país, mais difícil fica para alguns políticos corruptos deixarem as coisas como querem. E sobre a visita de vocês à Patos, tive o imenso prazer de fazer uma matéria. Foi simples, mas coloquei as fotos de todos para que a população se inspire em vocês e se interesse em salvar vidas também. Você e os outros paracatuenses que foram estão de parabéns! Obrigada por participar do blog! Seja sempre muito bem vindo, viu? Um abração!!!!