sábado, 1 de maio de 2010

Pieguices...


Todos os dias me sento diante dessa tela em branco.
Todos os dias, meus pensamentos me abandonam exatamente nessa hora.
Todos os dias, vejo as notícias que passam na TV.
Até me esqueço do que a TV pode fazer com minha mente...
Todos os dias, tento me situar para entender melhor o que me rodeia...
Mas tudo o que consigo é ficar cada vez mais absorvida pelos mesmos minúsculos problemas.
Lá fora, as pessoas têm medo da polícia...
Aqui dentro, eu tenho medo de mim
No Rio, as pessoas temem a chuva
Meu receio é só essa mina d'água que levo nos olhos
É uma letargia que me impede de pensar com clareza
Uma cortina de fumaça que divide o horizonte
Faz tempo desde a última vez em que fiz um projeto
Talvez seja falta de vontade ou coisa parecida
A verdade é que cada vez me importo menos...
E não se importar é o veneno da Humanidade
Começa quando a dor do vizinho não me comove...
E termina quando só consigo pensar em mim mesma.
Egoísmo? Não...necessidade!
O mundo é uma selva de corações petrificados...
E nem sempre temos disposição para lapidar todas as pedras.
Sinto muito pelos meninos vítimas do pedófilo de Luziânia...
Sinto muito pelos milhares de desabrigados do Rio...
Sinto muito pelos desabrigados de Santa Catarina, por hora esquecidos...
Sinto muito pelas vítimas inocêntes da crueldade da polícia...
Sinto muito pelas crianças do mundo
Sinto muito pelo mundo...
Mas hoje, acima de tudo, sinto falta do meu pai...
E essa dor egoísta supera minha força para sentir outras dores...
Sei que fora dos meus portões há tragédias maiores...
Mas hoje, me recolho à insignificância de minhas lágrimas por esse alguém que tanto amo...e foi embora.
Sinto muito por mim...
Mas isso passa...
Amanhã não sentirei mais.

2 comentários:

Vinícius Aguiar disse...

Andava com saudade das suas palavras, mesmo as mais melancólicas, como essas. Momentos, difíceis, mas ainda assim, MOMENTOS!

Beijos!

Isa** disse...

Obrigada pelo carinho e pela presença, Vini. Hoje faz um ano que perdi meu pai. Tá difícil, mas a gente vai levando...

Se cuida, meu querido!
E volte sempre!

Beijoooo!