terça-feira, 26 de agosto de 2014

Trilhe seus próprios caminhos e deixe eu para mim*



Existem muitas coisas que eu gostaria de entender... algumas a minha fé me explicou, mas em outras eu continuo buscando lógica. Gostaria de entender, por exemplo, por que toda indireta começa com a famosa "tem gente que..." e por que as pessoas se importam com isso simplesmente porque a "carapuça" serve. A verdade é que existem muitas cabeças para a mesma carapuça e uma única ideia para muitos seguidores. O resultado disso é um mar de indiretas e infantilidades que, na falta de um alvo específico, atinge o maior número de pessoas possível. 

Esse comportamento se torna ainda mais comum quando o que está em jogo são ideologias e se a conversa é sobre política, sai de baixo! Essa é, sem dúvidas, a maior perdição dos fanáticos. Eles babam, rosnam, xingam, distribuem suas ameaças e conspirações a esmo torcendo para que algum interessado siga seus passos ou para que algum desavisado o questione e assim ele possa demonstrar seus conhecimentos em público. Sim, porque o fanático é, antes de tudo, extremamente vaidoso. Ele dedica boa parte do seu tempo em discussões intermináveis e adora uma plateia. Não queira discordar de um fanático, porque nunca se sabe até onde ele pode chegar para demonstrar sua superioridade quase divina.

Outro perfil muito comum, principalmente em ano de eleições, é o propagador. Ele se deslumbra pela ideia do fanático e passa essa ideia adiante como se fosse uma verdade absoluta. Afinal, ela é mesmo! O fanático não admite outra realidade que não seja a sua e o propagador, como bom e fiel escudeiro, também não. Quando essa rede de propagadores cresce, podemos dizer que há uma especie de delírio coletivo ou, em outros dizeres, uma classe de super humanos. Pessoas assim acreditam que foram iluminadas e que todas as outras estão presas numa nuvem de ignorância sem fim. Isso explica o modus operandi do fanático, que expõe suas ideias em tom impositivo, quase sempre acompanhadas de um adjetivo depreciativo para aqueles que discordam total ou parcialmente. Essa casta iluminada não pode ser questionada nem em parte que já se desfaz num rio de ofensas e provas "incontestáveis".  

Além do fanático e do propagador, existe o livre. O livre analisa e questiona, podendo mudar de ideia a todo momento, desde que tenha bons motivos para isso. Ele quer entender, quer conhecer as diversas opiniões ligadas ao mesmo fato ou ideia e nem sempre se posiciona. Por que ele deveria tomar um lado? O livre é, antes de tudo, um observador. Quando se pronuncia é para fazer perguntas e se as respostas não agradam, ele busca outras. Essa aparente independência é bastante explorada pelo fanático, que acaba tachando o livre da forma que lhe convém. Isso porque o fanático não aceita meio termo. Se você não concorda integralmente com ele, está contra ele. É isso mesmo, o fanático adora tomar o livre como inimigo, mesmo que o livre não tenha a menor vocação ou paciência para duelar em prol do ego de outrem. O destino disso é o desvario ou a indiferença, sendo esta última a primeira escolha do livre. 

Num mundo cercado de desigualdades, o livre se pergunta onde estaria a solução para cada problema. Como solucionar a fome na África, a seca no nordeste brasileiro, a biopirataria na Amazônia, a guerra no Oriente Médio... Para tudo ele quer uma resposta, mas não suporta argumentos prontos e acabados, que não admitem uma revisão. Afinal, tudo pode ser revisto e as pessoas estão destinadas a evoluir para estágios onde o bem estar coletivo seja prioridade. Sim, mas isso não significa que o livre tenha a alma comunista. Ele sabe que a sociedade não está pronta para tamanho passo, mas acredita que um dia as pessoas realmente se importarão mais umas com as outras, sem que esse sentimento de comunhão seja imposto por um Regime. Mas o fanático não enxerga dessa forma. Aliás, por estar aprisionado numa capsula de racionalidade, ele não tem muito tato com sentimentos. Tudo que extrapola a razão é um mal psíquico digno de cuidados médicos. Por isso, quando um livre e um fanático se encontram, não existe diálogo. O fanático acaba achando o livre alienado e o livre acaba achando o fanático um louco ou tirano (um pouco dos dois, talvez). 

Mas será que diante de tantas divergências é possível haver um equilíbrio? Bem, primeiro é necessário haver harmonia dentro de cada parte. O fanático deve rever suas verdades prontas e se questionar mais sobre sua postura com aqueles que lhe são contrários. O propagador deve investigar a fundo as ideias por trás das bandeiras, antes de se tornar um defensor ou combatente delas. E o livre, bem, deve continuar investigando, se questionando, se construindo, afinal ele é livre para isso.

Fato é que no mundo ha espaço para livres, fanáticos, propagadores, alienígenas e afins. Todos podem coexistir sem prejuízos para os demais. Qualquer ideia contrária beira a arbitrariedade, o autoritarismo, a repressão e isso, em nenhuma hipótese, é salutar para os envolvidos. Cada um traz em si o reflexo de suas próprias experiências e a forma com que as ideia são colocadas ao público revela muito mais sobre o caráter e a personalidade do que sobre o intelecto. Por isso, antes de distribuir uma verdade inabalável, é interessante e até apropriado pensar se essa verdade chegará como punhal ou como luz para quem a recebe.


*Frase de Francesco Petrarca disponível em: http://www.quemdisse.com.br/frase.asp?frase=16209 

2 comentários:

Leonardo Aragão disse...

Bom dia
Texto muito bom,os livres são os piores e mais complicados,pois proliferaram,hoje em dia o bacana e não se expor não comentar não debater ideias,ninguém se posiciona.E interessante nas redes sociais só se vê ataques a presidente,não que seja meu voto ainda não me decide,mas nas pesquisas ela e a melhor mais bem cotada a ser novamente nossa presidente,agora desafio a qualquer um ter a coragem de defender esse ou aquele candidato e melhor ou pior,depende do ponto de vista ,conseguir achar nas redes sócias mais do que 10 eleitores,que não sejam os fanáticos,que irão votar na Dilma que e a que esta em primeiro nas pesquisa.Sinceramente não entendo essa falta de vontade politica,essa resistência que temos para tratar de algo tão serio,que pode definir como sera nossos próximos anos ,ou mais turbulentos ou mais calmos.
E só pra encerrar para não prolongar muito,alguém ai sabe quem são nossos candidatos a deputado,senador ,governador??
Nossa ser que sou um livre também ?? HIIIII

Isa** disse...

Oi, Leonardo! Fico muito feliz que tenha gostado e participado de novo! É verdade, a coisa mais difícil é se posicionar sem ser atacado. É difícil escolher quando suas escolhas são diferentes das do outro. A gente sempre se sujeita a julgamentos e depreciações das mais diversas espécies. Mas o importante mesmo é se posicionar conforme as suas convicções. E mais que isso, não precisa se posicionar se não quiser. As vezes as pessoas nos pressionam para que pensemos igual, mas cada ser é único. Por isso, o bom é sempre acreditar nos seus ideais porque até para cair, tem que ser por nossa conta e risco. =) Obrigada por tudo! Um grande abraço!!!!