terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Conto de uma noite qualquer



Pousei meus olhos sobre aqueles olhos verdes. Estranho e instigante como aquela conversa. Fui baixa, fui longe, fui eu. Estranhos conhecidos numa mesa de bar. Algumas dezenas de pessoas em volta inundavam de vozes o ambiente. Cada um tinha sua estória, escolhas, vivências. Passei a noite sorvendo contos eróticos e cerveja. Se ao menos eles soubessem... Novamente repousei meu olhar, dessa vez sobre um par de olhos azulados, apreensivos e curiosos. A timidez de menina pairava naquela face branca. Se ao menos ela soubesse... Temi pelo destino da conversa e também pelas horas que escorriam noite a dentro. Noite linda, lua clara e cheia. A maior expectadora de nossas tolices e desejos imundos. Um grupo, um bar, uma mesa. Revelações que fugiam levando consigo pudores. Deixa estar, quem precisa deles? Me vi naqueles olhos azulados, quase verdes. Quase um pedido de socorro! Eles gritavam. Por quê só eu ouvia? Se ao menos ele soubesse... Se aquele par de olhos verdes, invasivos e quentes imaginasse o que se passava ali! Era quase um poema. Era quase uma guerra. Uma mistura frenética de coisas. O caos reinava, mas por fora a luz fluia. Assim, seguiamos calmamente vagando nesse mar de sonhos. Aqueles olhos são brinquinhos de ouro! O que eles escondem? Nem meus olhos castanhos sabem dizer. Mas não importa! Algumas cervejas, algumas palavras, risos e estórias...
  _  Garçom, a conta!
Noite a fora, estranhos amigos seguem abraçados.
Tanto fez, tanto faz.
Se ao menos nós todos soubessemos...

Um comentário:

Vinícius Aguiar disse...

Interessante! A estória começa num tom, e termina em outro, o que faz da sua temática algo bastante surpreendente!

Parabéns Isa, beijos!